AQUILES EMIR
Numa curta distribuída nesta sexta-feira (10), o Partido dos Trabalhadores criticou o vazamento do diálogo entre dirigentes do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), no qual é revelado ter havido entre as duas agremiações um “diálogo cabuloso”. A revelação foi comentada também pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua conta no Twittir:
“A esquerda sempre alegou defender o diálogo. Já sabemos como eram feitos os diálogos no mensalão e petrolão. Dessa vez um líder da facção criminosa PCC revela sentir falta do “diálogo cabuloso” que tinha com o governo na era PT. Sinal de que estamos no caminho certo”, disse o presidente, lembrando os dois escândalos que mais afetam os petistas.
A escuta telefônica é de abril deste ano, entre dois presos que integram o PCC que comentam a transferência de 22 membros da cúpula da facção para o sistema penitenciário federal realizada em fevereiro, numa ação conjunta dos governos de São Paulo e o Ministério da Justiça. Na conversa, Alexsandro Pereira, conhecido como Elias, reclama do ministro da Justiça, Sergio Moro, pela remoção dos líderes, que estavam presos em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
“Os caras tão no começo do mandato dos cara, você acha que os cara já começou o mandato mexendo com nois irmão. Já mexendo diretamente com a cúpula, irmão. (…) Então, se os cara começou mexendo com quem estava na linha de frente, os caras já entrou falando o quê? ‘Com nois já não tem diálogo, não, mano. Se vocês estava tendo diálogo com outros, que tava na frente, com nois já não vai ter diálogo, não’. Esse Moro aí, esse cara é um filha da puta, mano. Ele veio pra atrasar. Ele começou a atrasar quando foi pra cima do PT. Pra você ver, o PT com nois tinha diálogo. O PT tinha diálogo com nois cabuloso, mano, porque… situação que nem dá pra nois ficar conversado a caminhada aqui pelo telefone, mano”, disse Elias, conforme o áudio transcrito pela PF.
Na sua nota, o PT não reage ao autor da gravação, tampouco à organização criminosa, mas ao ministro Sergio Moro, que estaria tentando desviar atenção diante das denúncias que pesam contra ele:
“Esta é mais uma armação como tantas outras forjadas contra o PT, e vem no momento em que a Polícia Federal está subordinada a um ministro acuado pela revelação de suas condutas criminosas. Quem dialogou e fez transações milionárias com criminosos confessos não foi o PT, foi o ex-juiz Sergio Moro, para montar uma farsa judicial contra o ex-presidente Lula com delações mentirosas e sem provas. É Moro que deve se explicar à Justiça e ao país pelas graves acusações que pesam contra ele”, diz a nota do PT.

Os grampos constam em relatório da Operação Cravada, que desmantelou um núcleo financeiro da facção criminosa que agia de dentro de presídios do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. No relatório, a PF reforça que “foram encontrados indicativos de vínculos da organização criminosa PCC com partidos políticos”, mas que neste momento essas informação não são objeto central da investigação.
Segundo as investigações, Elias tinha o cargo de “Resumo da Rifa”, uma espécie de tesoureiro que cuidava da mensalidade cobrada pelas lideranças presas aos subordinados na rua. O dinheiro é usado para compra de drogas, para financiar ações criminosas e para dar suporte aos familiares de detentos. No fim do relatório, a PF pede à Justiça a transferência de Elias, assim como de outros onze presos, para o sistema penitenciário federal.
A operação Cravada foi deflagrada em 06 de agosto por determinação da Justiça Federal de Piraquara (PR), onde se localiza uma penitenciária de segurança máxima apontada como “centro de controle” do PCC.
(Com informações da Veja e PT)




