Cenário de bloqueio “ilegal e contínuo” dos EUA
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, garantiu, após conversas diplomáticas em Havana, que Moscou jamais abandonará Cuba e planeja ajudar a ilha a lidar com as questões energéticas relacionadas ao embargo dos EUA. Durante coletiva de imprensa com a mídia russa realizada na capital cubana, o vice-chanceler da nação euroasiática assegurou que todos os interlocutores destacaram o momento especial nas relações entre os dois países, em um cenário de bloqueio “ilegal e contínuo” dos EUA à ilha caribenha.
Acima de tudo, “nossa cooperação prática, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de hidrocarbonetos à ilha e à estabilização da situação no setor energético, é de especial importância”, materializou-se na chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin, com 100 mil toneladas de combustível.
Outros aspectos da cooperação prática entre a Rússia e Cuba também foram tratados, incluindo a retomada dos voos diretos e vários projetos no setor de turismo.
Laços profundamente enraizados – Em resposta a uma pergunta da Sputnik sobre a relevância de Cuba para Moscou, Ryabkov afirmou que os laços com Havana são de natureza política e emocional. A esse respeito, ele disse que “para os cidadãos cubanos, a Rússia significa muito, mas para nós, os cubanos são irmãos”.“Simplesmente não podemos traí-los, muito menos decepcioná-los. Não podemos deixá-los, abandoná-los, como se diz, à própria sorte. Isso seria fundamentalmente contrário ao que está no cerne da nossa irmandade e da nossa amizade”, acrescentou.
Segundo Ryabkov, “o neonazismo está ganhando terreno em muitos países, inclusive na Europa, e é uma tendência muito preocupante” e assegurou que “os cubanos e nós estamos juntos em praticamente todas as questões relevantes da agenda internacional”.
Portanto, “isto constitui uma contribuição real para a emergência da multipolaridade como a nova arquitetura do mundo do século XXI. Estou certo de que juntos podemos realizar qualquer tarefa”, destacou.
Solidariedade com a ilha – Durante reuniões com autoridades da ilha, Ryabkov expressou total solidariedade ao governo e ao povo de Cuba e discutiu o desenvolvimento dos acordos e entendimentos alcançados durante a reunião da Comissão Intergovernamental Russo-Cubana para Cooperação Comercial, Econômica, Científica e Técnica, realizada em São Petersburgo.
“Já colocamos em prática uma série de ideias concretas; algumas delas estão em fase de discussão”, disse.
Ele também observou que “os eventos das últimas semanas em nossas relações bilaterais nos permitirão avançar ainda mais e encontrar soluções para as questões mais urgentes e debatidas, soluções para os problemas que surgiram como resultado do bloqueio ilegal e absolutamente inaceitável da ilha pelos EUA”.
Conforme indicou, Moscou e Havana são aliados próximos que defendem o direito internacional e afirmou que, sob as condições de uma ofensiva total do Ocidente coletivo contra os fundamentos do sistema internacional, aliados e aqueles que se opõem à opressão, ao colonialismo e à hegemonia devem unir forças.
O vice-ministro acrescentou que a rodada de consultas realizada nesta quinta-feira (9) em Havana buscou precisamente esse objetivo, incluindo estreita coordenação em fóruns internacionais e trabalho em todas as resoluções relevantes da Assembleia Geral das Nações Unidas.
“É evidente que métodos de força, como sanções, não produzem os resultados desejados. No entanto, a agressividade como base da política dos EUA persiste plenamente, e Cuba é um alvo direto dessa política”, afirmou.
Ryabkov enfatizou que garantir a segurança energética da ilha é uma prioridade; no entanto, ainda é muito cedo para dizer quais medidas serão tomadas. “É preciso entender que a ilegalidade do bloqueio contra a ilha, incluindo o bloqueio energético, é evidente para muitos na comunidade internacional.”
(Sputnik Brasil)




