Tecnologia será implantada no Pará
Começa nesta terça-feira (20) e vai até sexta (22), no Instituto Formação, em São Luis (MA), o curso de capacitação de técnicos para atuarem como multiplicadores da tecnologia social Sisteminha, ministrado pelo pesquisador Luiz Guilherme, criador da tecnologia. “Iremos abordar a instalação e manejo dos cinco módulos básicos para o Sisteminha: piscicultura, avicultura, produção vegetal, minhocário e composteira”, resume.
O Instituto Formação será o responsável pela instalação de 14 unidades do Sisteminha em Ananindeua/PA.
A iniciativa é mais uma etapa do projeto Transferência de Tecnologia em áreas urbanas e periurbanas executado a partir de um Termo de Execução Descentralizada celebrado entre a Embrapa e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome – MDS. O acordo prevê a instalação de 300 unidades do Sisteminha em municípios considerados desertos alimentares e a formação de uma rede de Organizações da Sociedade Civil para atuarem como multiplicadores da tecnologia, para garantir a continuidade do uso da tecnologia de forma independente e ampliar seu alcance, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento e à produção de alimentos.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim, com relação a essa parceria com o MDS dentro do programa Alimenta Cidades, além de ser um processo de embarque de tecnologia em política pública para reverter essa questão da insegurança alimentar, é uma oportunidade também de visibilidade para a questão da fome, da insegurança alimentar que ocorre nas áreas urbanas e periurbanas. “Apesar de haver um foco na questão da fome no ambiente rural, há sim um processo de insegurança alimentar bastante pronunciado em áreas urbanas e periurbanas que, muitas vezes, não são tratados pela política pública. Não só com relação à falta do alimento ou do alimento insuficiente para as necessidades dessas famílias, mas também da qualidade desses alimentos. Então, estão se formando verdadeiros desertos alimentares em razão dessa produção de alimento saudável não acontecer e não chegar até a mesa dessas pessoas, seja pela falta da produção ou até mesmo da dificuldade do acesso. O resultado é que essas populações são muito mais expostas a alimentos ultra processados e isso traz uma série de implicações, como obesidade, problemas de saúde em geral. A iniciativa e a parceria vem no sentido de aproveitar os espaços urbanos, como os quintais, terrenos baldios e outros, para que eles possam ser instrumentos para a produção de alimentos saudáveis e, em contrapartida, também servirem de espaço para treinamento e ativação dessas comunidades, no sentido de focar em produção do seu próprio alimento. A tecnologia pode estimular a produção desse alimento nessas regiões, em escolas, em áreas comunitárias e aproveitar toda essa área urbana não ocupada, que pode vir a ser um espaço de uso inadequado, de área de lixo ou mesmo para a prática de alguns ilícitos, para fins produtivos”.
O diferencial da parceria com o MDS é a criação de um modelo estruturado de transferência de tecnologia para replicação em grande escala. Organizações da sociedade civil estão sendo capacitadas para trabalhar com a tecnologia e prestar assistência técnica a partir de submissão a editais com critérios específicos. “Mais do que garantir segurança, é caminhar para a autonomia, para a soberania das pessoas, com alimentação de qualidade e baixo impacto ambiental”, avalia a chefe-adjunta de transferência de tecnologia da Embrapa Maranhão, Guilhermina Cayres.
“Nesse projeto, quando falamos multiplicadores, nosso foco são organizações da sociedade civil, que já tenham expertise em trabalhos com desenvolvimento rural, agricultura urbana e temas similares, para que essas organizações sejam as futuras multiplicadoras da tecnologia. Hoje já temos algumas organizações da sociedade civil com capacidade de multiplicar a tecnologia Sisteminha, e a ideia, a partir da execução desse projeto, é que aumentemos esse número, criando assim uma rede de organizações que tenham a capacidade de levar a tecnologia para a sociedade”, detalha o supervisor de transferência de tecnologia da Embrapa Maranhão, João Zonta.
Além dessa rede de parceiros externos, objetiva-se criar uma rede Embrapa Sisteminha, com empregados da Empresa capacitados no uso da tecnologia. Para tal, foi instalada uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) do Sisteminha na sede da Embrapa Amazônia Oriental. A URT está sendo utilizada como referência para capacitação de multiplicadores dos municípios de Belém (PA) e Ananindeua (PA).
Inicialmente, equipes da Embrapa e do MDS iniciaram conversa com 20 municípios, localizados em todas as cinco regiões do País, para articular com as prefeituras municipais a execução do projeto. As cidades foram selecionadas de acordo com o grau de maturidade da agenda de agricultura urbana e periurbana, identificado por meio do diagnóstico realizado no âmbito da Estratégia Alimenta Cidades, iniciativa da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS.
Para a coordenadora-geral de Agricultura Urbana e Periurbana do MDS, Kelliane Fuscaldi, a proposta é fortalecer as ações da Estratégia Alimenta Cidades, contribuindo para a produção e o acesso a alimentos saudáveis. “Estamos desenvolvendo um ambiente institucional para a gestão deste projeto, que envolverá, além do MDS e da Embrapa, entidades executoras que serão responsáveis pela implantação da tecnologia – uma rede parceira, composta por outras unidades da Embrapa e a gestão municipal”, completou.
A iniciativa contribui diretamente com o Eixo 4 da Estratégia Alimenta Cidades — produção de alimentos sustentáveis — e com todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de enfrentamento da fome e da pobreza, assim como está diretamente alinhado ao Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP).




