Empresários são a favor da liberdade de expressão
Quatro entidades empresariais maranhense, sendo três delas sediadas na região tocantina, no município de Açailândia, vieram a público contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que mandou fazer buscas e apreensões em endereços de um grupo de empresários sob argumento de que estariam pregando um golpe de estado, quando na verdade estavam apenas manifestando pensamentos. Em outros estados, os órgãos do setor produtivo também estão reagindo ao que chamam ameaça da liberdade de expressão.
Os empresários Luciano Hang (Havan), Afrânio Barreira Filho (Coco Bambu), José Isaac Peres (Multiplan), Ivan Wrobel (W3), André Tissot (Grupo Sierra), Marco Aurélio Raimundo (Mormaii), Meyer Nigri (Tecnisa) e José Koury (Barra World).
Em seu manifesto, a Federação das Ações Empresariais do Maranhão (Faem), presidida por Hélio Araújo, lembra que “quebra de sigilo bancário, congelamento de contas, invasão de residências e de empresas são medidas extremas admitidas, apenas, contra suspeitos de crimes graves, jamais contra manifestações de opinião”.
A entidade diz que não emite juízo de valor sobre o que foi dito nas conversas de redes sociais, mas é plenamente a favor da democracia e da liberdade de expressão.
Num outro manifesto, do Centro Empresarial de Açailândia (CEA), com endosso do Sindicato do Comércio Varejista de Açailândia (Sica), Associação Comercial e Industrial de Açailândia (ACIA) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do município, diz que são inacreditáveis esses fatos diante do que garante a Constituição Federal em termos de liberdade de expressão.
Segundo o CEA em seu meio há empresários com diversas linhas de pensamento, mas isto “so fortalece o debate da democracia”.
Eis a íntegra dos manifestos:
MOÇÃO DE APOIO
A FAEM, diante da operação da Polícia Federal ocorrida na manhã desta terça-feira,
23/08/2022, por ordem do Sr. Min. do STF Alexandre de Moraes, contra importantes empresários brasileiros, vem manifestar sua mais profunda apreensão com o rumo da livre expressão do pensamento no Brasil.
É absolutamente irrazoável que conversas em redes privadas – insuscetíveis, por isso,
de configurar qualquer ameaça – ainda que em termos veementes, recebam a reposta extremada que sofreram.
Quebra de sigilo bancário, congelamento de contas, invasão de residências e de empresas
são medidas extremas admitidas, apenas, contra suspeitos de crimes graves, jamais contra
manifestações de opinião.
Não cabe, obviamente, a esta entidade de representação empresarial, emitir juízo de
valor quanto às opiniões e militância politica dos seus representados, mas, tem o dever de
testemunhar a coragem e a competência de empreendedores que arriscam seu patrimônio e seu trabalho colaborando com a riqueza e o crescimento do país.
A FAEM tem dentre seus associados os mais diversos empresários que podem e
devem ter opiniões até contrárias, o que em nosso entendimento fortalece o debate e a democracia, que ao fim é um confronto de idéias e posições, muita das vezes antagônicas.
Os nossos empresários e associados, continuam investindo tempo e recursos em novos e velhos empreendimentos, independentemente de suas escolhas políticas.
Nós enquanto empresários acreditamos no Brasil e contribuímos para o seu desenvolvimento e o fortalecimento das instituições.
O Brasil precisa de paz e de harmonia para que possamos construir um futuro de
prosperidade e desenvolvimento, com segurança às empresas e empreendedores e temos a
convicção de que o STF precisa ser um dos catalisadores desse processo.





