A menos de três semanas para a abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, onde é uma das promessas de medalhas para o Brasil, Rayssa Leal foi anunciada como embaixadora da Louis Vuitton, tornando-se assim a primeira brasileira a ocupar o posto no maior grupo de luxo do mundo, provando assim seu impacto e alcance global. Ela é a capa da revista Bazzar de julho.
“Estar em uma capa é algo que jamais poderia imaginar quando comecei a andar de skate”, disse a atleta, que chega para esta sua segundo olimpíada com dezesseis anos, mas ainda lembrada como a Fadinha que despontou para o mundo dos esportes em 2022 no Japão, onde conquista Medalha de Prata em Skate.
Em sua estreia em Bazaar, nossa cover girl usa peças que “teria fácil” em seu guarda-roupa. O styling street minimal, com pontos de cor e tons pastel, faz fit perfeito com a atleta e medalhista de prata nas últimas Olimpíadas, em Tóquio. Aos 16 anos, o talento precoce e a garra de conquistar o mundo atraíram a atenção de ninguém menos que Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, que puxou a nossa “Fadinha” (apelido dado quando ela viralizou ao andar de skate com uma fantasia, aos 13 anos) para seu seleto rol de embaixadores globais”, escreveu Bárbara Martinez na ediçao da revista em que ela é destacada.
Ainda de acordo com a jornalista, Rayssa tem a vida de uma adolescente comum, ainda morando em sua cidade natal, Imperatriz, no interior do Maranhão, distante 635 quilômetros da capital, São Luís. Além da família, faz parte do seu convívio Slink, um pugzinho que faz falta quando ela está dando seus kickflips por aí.
Sobre suas habilidade de skatista, ela diz: “eu me divirto ao andar de skate, como se eu estivesse em um parquinho de diversões”, mas admite que está se sentindo “mais nervosa” por entender o peso do páreo. “Mas, não é um bicho de sete cabeças. Sinto esse friozinho na barriga de quatro em quatro anos.”
Para estes momentos de tensão, Rayssa diz que recorre ao seu porto seguro, que é a rede de apoio formada por família e amigos. “Quando estou com eles, em dias de folga, quero aproveitar ao máximo”, diz ela revelando que adora passar o dia inteiro na piscina da chácara em que vai aos finais de semana, além de praticar partidas de futebol e jogar conversa fora.
Quando vai para os treinos, o desafio é manter o medo longe e superar os limites nos heats.
“Às vezes, coloco uma barreirinha na cabeça, em que falo ‘eu não consigo e nem vou tentar’. Aí converso com a minha psicóloga e com os meus pais. Eles me dão o suporte que preciso, assim como meu coach e minhas amigas. Eles me passam segurança, tento e dá certo”, diz ela, revelando outro segredo de sua atuação nas pistas: toda vez que sai para andar de skate, vai com uma manobra diferente na cabeça.
“Quanto mais a gente sai da zona de conforto, mais vai ganhando confiança e abre a mente para tentar algo novo. Em todas as minhas competições, me pego falando: ‘Deus, vai na minha frente’.”
Neste período pré-olímpico, Rayssa luta para manter a disciplina e não cair em tentações, como jogar futebol na escola, por exemplo.
“Sigo morrendo de vontade, mas fico no dominó”, conta, entre risadas. Ela diz que sua agente ligou para ela, um dia desses, pedindo para segurar a emoção e ficar 40 dias de molho. “Tá bom, eu vou conseguir. Afinal, não vou me privar a vida inteira, apesar de que, de três em três meses, praticamente, tenho algum campeonato.”
Rayssa segue uma dieta regrada, treina, mas seus pequenos troféus são guloseimas. “É docinho e chocolate para não ficar com fome. Quando vou para a academia, funciona como meu pré-treino”, diverte-se, e acrescenta:
“Levo minha vida como se estivesse sobre o skate. Às vezes, é óbvio que vão ter as quedas, os nossos outs. Quando estou me sentindo mal, só penso em levantar e andar de skate, se preciso for, para dar uma animadinha.”
Mudança – A atleta tem planos de mudar do Maranhão, ou melhor, do Brasil, e Los Angeles, nos Estados Unidos, considerada a meca mundial do esporte, está nos planos, “mas só quando completar 18 anos e tiver terminado o Ensino Médio, daqui a dois anos”.
Outra vontade é, finalmente, gravar seu video part – cartão de visitas audiovisual com manobras e tudo o que sabe fazer.
“São três minutos andando na rua, corrimão ou caixote, e como não é um trajeto perfeito, tenta-se por horas ou, às vezes, dias. Tem gente que tenta há dez anos e nunca acertou.” Imperatriz, com certeza, será parte do cenário.
Aos 16 anos, Rayssa tem rodinhas nos pés, literalmente. Sabe que serve de espelho para outras meninas. Não conquistou seu lugar sozinha, por isso reverencia aquelas que vieram antes dela. “Tenho uma meta, que é a medalha de ouro nas Olimpíadas. Só vou parar quando conseguir.” E a gente dá como certo: Rayssa terá de dobrar essa meta muito em breve… E, assim, sucessivamente!