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    Home»Brasil»Bahia, Goiás e Minas Gerais batem recordes de desmatamento do Cerrado
    Brasil

    Bahia, Goiás e Minas Gerais batem recordes de desmatamento do Cerrado

    Aquiles Emir16 de março de 202304 Mins Read
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    Desmatamento no bioma quase dobrou comparado a 2022

    O desmatamento do Cerrado nos estados da Bahia, Minas Gerais e Goiás atingiu recordes históricos no mês passado. Segundo dados do SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado), divulgados nesta quarta-feira (15), fevereiro de 2023 foi o mês com a maior área desmatada nesses estados desde que o sistema iniciou o monitoramento. Além disso, a área desmatada em fevereiro foi a maior registrada nos últimos seis meses.

     

    Na Bahia, o bioma teve 22.187 hectares desmatados, um aumento de 227% em relação a fevereiro de 2022, quando foram desmatados 6.778 hectares. Já Minas Gerais desmatou 10.007 hectares, um aumento de 82,5%, ou 4.517 ha, em relação a 2022. Goiás, por sua vez, foi responsável pela destruição de 10.849 hectares de vegetação nativa, um aumento de 69% em relação ao ano passado, quando foram desmatados 6.421 hectares.

    O SAD Cerrado é uma ferramenta de monitoramento do desmatamento do bioma desenvolvida pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com a rede MapBiomas e com o LAPIG (Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento), da UFG (Universidade Federal de Goiás).

    Retorno do crescimento – Após a queda registrada em janeiro, fevereiro registrou o desmate de 86,8 mil hectares de vegetação nativa em todo o bioma, um aumento de 86,4% em relação ao mês anterior, quando 46,5 mil ha foram derrubados.

    “É preciso analisar com cautela a motivação por trás dessas grandes áreas desmatadas, principalmente por ser um período com alta cobertura de nuvens que normalmente resulta em uma subestimação da área desmatada”, afirma Tarsila Andrade, pesquisadora do IPAM que atua no SAD Cerrado.

    Destruição de corredores ecológicos – Líderes de desmatamento, os municípios baianos São Desidério, Correntina, Barreiras, Jaborandi e Cocos responderam, juntos, por 16% de todo o Cerrado desmatado no primeiro bimestre de 2023. Esse pico na região também é marcado pelo desmatamento de grandes áreas, a maior parte (87,4%) da área desmatada foram de alertas maiores que 50 ha, e se concentram, principalmente, em propriedades privadas – cerca de 15,6 mil ha ou 98,3%. Já para o bioma, 90,5% da área desmatada em fevereiro ocorreu em áreas privadas. E mais da metade (53,6%) da área desmatada foram de alertas maiores que 50 ha.

    Evolução temporal de uma área desmatada em uma área privada no oeste baiano detectada em fevereiro de 2023. Imagens ©PlanetScope

    Por serem fronteiriços e concentrarem grandes focos de desmatamento em regiões de expansão agrícola em que já haviam poucas áreas de preservação, o impacto desses novos desmatamentos podem ser severos para a biodiversidade na região. Por exemplo, 74,1% do desmatamento ocorre em áreas de formação savânica, que tem sido alvo da expansão agrícola nas últimas duas décadas, principalmente para a soja (MapBiomas). Esses novos desmatamentos também prejudicam a formação de corredores ecológicos responsáveis por conectar grandes remanescentes, o que contribui para a ameaça local de espécies e para o isolamento de áreas protegidas.

    Segundo a pesquisadora do IPAM Fernanda Ribeiro, o desmatamento atinge uma área estratégica do Cerrado. “As áreas remanescentes de vegetação nativa no oeste baiano têm um papel chave na manutenção da biodiversidade na região pois servem como habitats importantes para espécies endêmicas e ameaçadas, como o arapaçu-de-wagler e a arara azul grande. Além do impacto causado pela perda de habitat, as grandes áreas desmatadas recentemente são ainda mais preocupantes por estarem localizadas em áreas de alta importância para manutenção da conectividade entre as principais áreas protegidas da região”, afirma.

    Sobre o SAD Cerrado – O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado foi lançado em setembro de 2022 pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com a rede MapBiomas e com o LAPIG (Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento), da UFG (Universidade Federal de Goiás). Relatórios de alertas para janeiro de 2023 e para o ano de 2022, estão disponíveis neste link. No painel interativo, é possível selecionar estado, município, categoria fundiária e intervalo temporal para análise.

    O objetivo é que o sistema forneça alertas de desmatamentos maiores de 1 hectare, atualizados mês a mês. Pesquisadores entendem que o SAD Cerrado pode se constituir como uma ferramenta complementar a outros sistemas de alerta de desmatamento no bioma, como o DETER Cerrado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), otimizando o processo de detecção em contextos visualmente complexos.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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