Assembleis terá presença de líderes mundiais não vacinados
Com mensagens contraditórias entre as Nações Unidas e a cidade de Nova York sobre a pandemia do coronavírus, a sede da ONU recebe, a partir desta terça-feira (21), uma centena de líderes mundiais em sua 76ª Assembleia Geral anual. Pela primeira vez, desde 2019, a maioria dos participantes estará presente fisicamente.
O secretário-geral da entidade, Antonio Guterres, aponta que este novo encontro terá os olhos postos no Afeganistão e na distribuição desigual de vacinas, entre outros assuntos e lançará um “grito de alarme” para os “situação muito perigosa.” em que o mundo está.
Já anunciaram presença o americano Joe Biden, o brasileiro Jair Bolsonaro, o turco Recep Tayyip Erdogan, o alemão Frank-Walter Steinmeier, o britânico Boris Johnson, o israelense Naftali Bennett, o espanhol Pedro Sánchez e o venezuelano Nicolás Maduro.
A 76ª sessão da Assembleia Geral será a primeira vez que os líderes mundiais poderão se reunir novamente após celebrar sua 75ª edição em 2020 de forma semj virtual, devido à pandemia de coronavírus.
Embora a ONU goze de extraterritorialidade, por ter sua sede em Nova York, as autoridades locais e o governo dos Estados Unidos fizeram um apelo para que qualquer movimento ou presença de enviados de qualquer parte do mundo para a assembléia nas ruas da cidade respeite o protocolos de saúde que regem restaurantes, pavilhões esportivos, cinemas, museus, centros de convenções, etc., que exigem um certificado de vacinação contra Covid.
Em 09 de setembro, o conselho da cidade escreveu ao presidente da Assembleia Geral, Abdullah Shahid, para informá-lo que “todas as pessoas” que entraram no complexo da ONU tiveram que mostrar que estavam vacinadas, uma vez que, segundo ele, os quartos e auditórios da ONU eram um “centro de convenções” e, portanto, um espaço interior.
Na terça-feira passada, o presidente da Assembleia Geral escreveu a todos os estados membros para dizer-lhes que “apoia fortemente” a decisão de Nova York.
A Rússia ficou indignada e no dia seguinte escreveu para denunciar uma medida “claramente discriminatória” e apontou que nem todas as vacinas são reconhecidas pelas autoridades sanitárias internacionais e norte-americanas, como é o caso do Sputnik V, que ainda não foi aprovado pela Organização Mundial para a saúde (OMS).
O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que será o primeiro a falar, embora se negue a dizer qual será seu discurso para evitar críticas, confirmou sua viagem apesar de não ter sido vacinado. A administração da ONU então deu um passo para trás.
Assim, Shahid escreveu novamente aos estados membros na quinta-feira para esclarecer que o sistema da chamada “declaração de honra” ainda estava em vigor.
O uso de chinstrap e a distância sanitária serão obrigatórios,máximo de sete pessoas por delegação no local, quatro no anfiteatro da Assembleia Geral e redução ao mínimo de reuniões bilaterais.
Por fim, será criado um centro móvel de vacinação com o medicamento americano de dose única Johnson & Johnson.

Desde janeiro, os aliados europeus se surpreendiam com a ausência de mudanças notáveis na atual gestão com a de Donald Trump, no que se refere à política internacional de Washington, especialmente no que diz respeito à China.
Na semana passada, a França provou isso com a assinatura de uma aliança entre Estados Unidos, Austrália e Reino Unido que resultou na perda de um acordo milionário com Canberra para a construção de submarinos.
O Afeganistão, que voltou às mãos do Taleban, estará no centro das discussões, para defender os direitos das mulheres e evitar que o país entre em uma crise econômica e humanitária.
O mesmo é o caso de Mianmar, liderado por uma junta militar que a comunidade não reconheceu, ou da Guiné, palco de um golpe recente.
A luta contra as alterações climáticas e a pandemia Covid-19, em particular o acesso às vacinas, estarão no centro dos debates.
“Estamos indo na direção errada em todos os campos. É totalmente inaceitável que haja países onde 80% da população está vacinada e em outros apenas 2%”, denunciou Guterres na semana passada.
Soma-se a isso a recuperação econômica “muito injusta” que cria “uma divisão entre Norte e Sul” que já aparece na luta climática, afirmou.
Espera-se a presença do ministro das Relações Exteriores do Irã, Hosein Amirabdolahian, que adiantou a possibilidade de Teerã realizar reuniões sobre o acordo nuclear paralelamente à Assembleia Geral, embora, segundo o porta-voz do ministério, Said Jatibzadeh, a princípio não tenha encontro marcado com funcionários dos EUA.
(Da agência argentina Télam)




